Sobreiro...

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Sobreiro...

Mensagem  Mandrágora em Sab 2 Jun 2012 - 11:14


Sobreiro, a Árvore Nacional de Portugal
Quercus suber (Linnaeus)




Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Ordem: Fagales
Família: Fagaceae
Género: Quercus
Espécie: Quercus suber

Sinónimos: sovereiro, sobro, sovro, sôvero, chaparro.

O sobreiro é uma árvore de porte mediano e com um hábito amplo mas algo irregular, crescendo até entre 10 e 20m. O seu ritidoma é grosso, espesso e gretado, de cor acinzentada escura (a cortiça). Quando descortiçado, o ritidoma é liso e avermelhado. Os ramos principais também são densos e são torcidos enquanto os ramos mais jovens são acinzentados e estão cobertos de pêlos espessos e curtos. As gemas (botão foliar - ramo e folhas em estado embrionário) são pequenas (cerca de 2mm) estruturas ovóides, púrpura-escuro e cobertas por pêlos.

As folhas são persistentes, variando entre 2,5 – 10 x 1,2 – 6,5 cm e com forma que também varia entre ovadas a oblongas, normalmente de margens dentadas, apesar de num mesmo individuo poder existir também folhas de margem lisa. A página superior da folha é verde escura e sem pêlos enquanto a página inferior é acinzentada devido a uma densa camada de pêlos. O pecíolo é curto, atingindo no máximo os 2 cm. A sua nervosa principal divide-se em 5 a 8 pares de nervuras secundárias.

A floração ocorre entre os meses de Abril a Junho embora se possa estender ao início do Outono. Esta é uma árvore unissexual, ou seja, as estruturas sexuais masculinas e femininas estão separadas em diferentes flores. As flores são bastante pequenas, simples e com o perianto reduzido de cor verde amarelada, sendo uma espécie anemófila, ou seja polinizada pelo vento. As flores femininas são solitárias ou em pares localizando-se na axila das folhas dos ramos mais jovens e as flores masculinas agrupam-se num amentilho, inflorescência característica das plantas anemófilas, uma vez que se encontram penduradas de forma a que se movam facilmente com o vento e desta maneira ajude à dispersão.

O fruto do sobreiro, tal como nas restantes espécies do género Quercus, é a bolota, ou mais correctamente é a glande. De maturação anual, os frutos são castanho-avermelhados quando maduros, com tamanho entre 2-4,5 x 1-1,8 cm. No cimo, possui uma cúpula (1-2 x 1,2-2,5 cm) com escamas triangulares, curtas e imbricadas. Os frutos são visíveis nos meses de Setembro a Janeiro.

O sobreiro, espécie de florestas esclerófilas, tolera climas com períodos estivais apesar de se desenvolver melhor na presença de alguma humidade, mas não suporta grandes geadas. É uma espécie calcífuga, desenvolvendo-se bem em solos relativamente ácidos, profundos e férteis. É bastante comum a oeste da região mediterrânica (Portugal, Espanha, França, Itália, Argélia e Marrocos) sendo mais frequente na Península Ibérica e tendo a sua maior área de distribuição em Portugal. No nosso país encontra-se com frequência a sul do Tejo onde surgem na forma de extensos montados e esporádica no norte. Frequentemente associada à azinheira (Quercus ilex spp rotundifólia) e ao carvalho cerquinho (Quercus faginea spp broteroi), mas também existe em matas apenas de montados de sobro.



A característica que conduz a uma identificação inequívoca do sobreiro é a presença de cortiça, um tecido rico em suberina com função de protecção e que lhe confere uma excelente adaptação ao clima mediterrânico e ao seu período xérico (seco) característico, marcado por um elevado número de fogos. Outra das suas adaptações contra o fogo é a pouca cobertura subarbustiva. A primeira cortiça é retirada aos 25 anos de idade da árvore e os descortiçamentos seguintes são feitos com um intervalo entre 8 a 12 anos. Geralmente, uma árvore pode ser descortiçada cerca de 12 vezes. Metade da colheita mundial de cortiça é feita em Portugal, sendo um sector da indústria determinante para a nossa economia e que acaba também por utilizar muita mão-de-obra pois o trabalho é essencialmente manual e sem recurso a máquinas.

Esta árvore, que chega a atingir os 250 anos é a espécie que ocupa mais espaço no território português, cerca de 716 mil hectares (23% do total nacional) tornando-se ecologicamente determinante para a fauna e restante flora, com forte influência no meio em redor e no impacto paisagístico. É também importante para a manutenção dos solos e os frutos, além de alimento (essencialmente para o gado) também possuem propriedades insecticidas.

Pela sua importância, tanto a nível ecológico como económico, o sobreiro não pode ser abatido sem autorização do Ministério da Agricultura.



Está espécie emblemática figura na moeda comemorativa da presidência portuguesa do conselho da União Europeia, cunhada em 2007. Mais recentemente, no dia 22 de Dezembro de 2011, a Assembleia da Réplublica aprovou o projecto que declarou o sobreiro como a Árvore Nacional de Portugal.



Bibliografia:
Humphries, C. J. et al. 2005. Guia FAPAS – Árvores de Portugal Continental. 2º edição, FAPAS e Planeta das Árvores, Porto, p. 128
Blamey, M. & Grey-Wilson. 2008. C. Wild Flowers of the Mediterranean. 2º edição, Domino Books Ltd, London, p. 32
http://www.spbotanica.pt/pmes/pmes25.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Quercus_suber
Imagens:
http://ec.europa.eu/economy_finance/images/image8740.gif
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Quercus_suber_-_K%C3%B6hler%E2%80%93s_Medizinal-Pflanzen-254.jpg



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