Salamandra-de-costelas-salientes

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Salamandra-de-costelas-salientes

Mensagem  Mandrágora em Sab 2 Jun 2012 - 17:55

Salamandra-de-costelas-salientes
Pleurodeles waltl (Michahelles, 1830)




Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Amphibia
Ordem: Caudata
Família: Salamandridae
Género: Pleurodeles
Espécie: Pleurodeles waltl

Comummente também é conhecida como salamandra-de-costelas-salientes, salamandra-dos-poços ou galipato.

Descrição
A salamandra-de-costelas-salientes é o maior anfíbio da fauna portuguesa podendo chegar aos 30 cm, mas normalmente o seu comprimento ronda os 20 cm.
De aspecto rugoso, a sua cabeça é grande, achatada e arredondada. Os olhos, dispostos lateralmente, são pequenos e proeminentes. Apresenta uma coloração acastanhada a acinzentada, muitas vezes com manchas mais escuras e o seu ventre é claro, entre amarelado e acinzentado. A cauda desta salamandra é lateralmente achatada e tem uma pequena crista.
Nos flancos são visíveis 7 a 10 protuberâncias alaranjadas que correspondem aos extremos das costelas.
As fêmeas são, normalmente, um pouco maiores que os machos. Os machos têm uma cauda mais comprida em relação ao tamanho do corpo, comparativamente com as fêmeas, bem como a sua crista é mais desenvolvida que as das fêmeas. Na época de reprodução, os machos apresentam a região cloacal mais proeminente, os membros anteriores mais robustos e também desenvolvem calosidades nupciais nos dedos e na parte interna dos membros anteriores.

Comportamento
Esta salamandra de hábitos aquáticos tem actividade nocturna e crepuscular mantendo-se, durante o dia, nas zonas mais profundas dos charcos onde habita ou escondida em fissuras de troncos ou debaixo de rochas.
Quando os charcos temporários onde vivem secam, vão à procura de outro mas até lá podem passar longos períodos de estivação enterrados ou debaixo de rochas, desde que o meio se encontre suficientemente húmido. Nas regiões mais a norte, durante os meses mais frios, podem passar por um período de inactividade.
Esta espécie tem um eficaz mecanismo de defesa. Para além da pele venenosa consegue projectar as costelas pelas protuberâncias alaranjadas através do arqueamento do corpo, conferindo-lhe um ar bastante ameaçador, e podem mesmo espetar-se na boca do predador, que em conjunto com o veneno da pele, causam muita dor.



Os principais predadores são as cobras-de-água, o lagostim-vermelho-do-Louisiana e alguns peixes.
Tem uma longevidade de cerca de 10 anos mas há quem considere que pode viver até aos 20 anos.

Alimentação
A salamandra-de-costelas-salientes é um predador voraz, alimentando-se daquilo que consegue apanhar, variando a sua dieta consoante a disponibilidade de alimento.
Detecta as suas presas através do olfacto e alimenta-se, essencialmente, de insectos (larvas e adultos), invertebrados aquáticos (crustáceos, moluscos, …), larvas de anfíbio (incluindo larvas da própria espécie), tritões, pequenos peixes e até mesmo de animais mortos.
Em condições adversas, pode jejuar por meses.

Reprodução
A época de reprodução desta espécie ocorre entre Outubro e Maio, consoante a região geográfica, correspondendo, normalmente, ao período das chuvas.
O acasalamento ocorre dentro de água, após um complexo cortejamento. O macho nada para baixo da fêmea e agarra os seus membros dianteiros, permanecendo nesta posição durante horas e até mesmo dias. Antes de libertar o espermatóforo, o macho liberta uma das patas e contorce-se até conseguir o contacto entre as cloacas. Passados 2 ou 3 dias, a fêmea deposita entre 150 (quando são mais jovens) a mais de 1000 ovos em pequenas massas de 9 a 20 ovos em plantas aquáticas, pedras submersas ou no fundo dos charcos. A eclosão dos ovos ocorre 10 a 15 dias da deposição dos ovos e pequenas larvas permanecem no charco, durante cerca de 4 meses, até completarem a metamorfose.

Habitat
A salamandra-de-costelas-salientes está adaptada a uma grande variedade de habitat aquáticos, tendo preferência por massas de água parada ou com pouca corrente, de dimensão moderada, como charcos, lagoas, represas, poços e tanques.
Está associada a climas quentes e secos, de baixa e média altitude, não sendo avistada a mais de 900m (890m na Serra da Lombada, Parque Natural de Montesinho).
Muitos dos charcos habitados pela salamandra-de-costelas-salientes seca durante a estação seca, obrigando-a a permanecer em poças de lama ou por baixo de rochas até nova estação das chuvas.

Distribuição
Esta espécie tem uma distribuição restrita à Península Ibérica e ao Norte de Marrocos.
Em Portugal concentra-se sobretudo no cento e sul do país, onde o clima é mais seco e quente, evitando as zonas mais frias e montanhosas. Estende-se para norte, associada aos vales dos rios Douro e Sabor, pela Terra Quente Transmontana.



Estatuto de Conservação
A salamandra-de-costelas-salientes está classificada como uma espécie quase ameaçada (segundo a IUCN, 2006) devido ao declínio que tem vindo a ser registado nos últimos anos. As populações a norte são as mais ameaçadas e já desapareceu das zonas onde a pressão humana se faz sentir com maior intensidade.
As ameaças são principalmente, a destruição de habitat. Muitas das populações hoje em dia encontram-se bastante fragmentadas. Muitos dos charcos, habitados por grande parte da comunidade anfíbia, são pequenos e temporários, logo, são muito susceptíveis à contaminação por todo o tipo de poluição (eutrofização, agroquímica, pecuária, doméstica e industrial). Apesar desta espécie tolerar níveis consideráveis de poluição, esta tem-se vindo a demonstrar um problema. Outro dos grandes problema é a introdução de espécies exóticas, sobretudo para consumo humano mas que posteriormente afectam o desenvolvimento das nossas comunidades autóctones, tornando-se muito difícil a sua conservação. Para a esta salamandra, muitas espécies de peixes introduzidos e o lagostim-vermelho-do-Louisiana são um grande problema para a sua conservação.
Apesar de ocorrer em muitas áreas protegidas de Portugal e Espanha, esta espécie não monitorizada. Em Espanha já existem esforços para a sua conservação, sendo protegida pela legislação espanhola. Pertence ao Apêndice III da Convenção de Berna.


Bibliografia:
- Almeida, N.F. et.al. 2001. Guia FAPAS – Anfíbios e Répteis de Portugal. FAPAS. Porto. p.57-59
- http://naturdata.com/Pleurodeles-waltl-6551.htm
- http://www.amphibiaweb.org/cgi-bin/amphib_query?where-genus=Pleurodeles&where-species=waltl
- http://www.arkive.org/sharp-ribbed-salamander/pleurodeles-waltl/image-G62801.html#text=Conservation
- http://www.iucnredlist.org/apps/redlist/details/59463/0

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