Víbora-de-Seoane

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Víbora-de-Seoane

Mensagem  Mandrágora em Seg 18 Jun 2012 - 2:15

Víbora-de-Seoane
Vipera seoanei (Lataste 1879)


Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Squamata
Família: Viperidae
Género: Vipera
Espécie: Vipera seoanei



Descrição
O dorso da víbora-de-Seoane é coberto por escamas carenadas, dispostas em 21 fiadas na região central. É uma serpente pequena, atingindo os 45/50 cm de comprimento mas é muito robusta e a sua cauda é bastante curta.
A cabeça, de forma triangular, está bastante bem diferenciada do corpo. O focinho é plano ou ligeiramente proeminente na extremidade com duas escamas apicais. Como é característico das víboras, apresenta a pupila vertical. A íris varia entre o dourado e o avermelhado. Possui duas manchas escuras em forma de V invertido na parte posterior da cabeça.
A víbora-de-Seoane é bastante polimórfica, individual ou geograficamente. O dorso é cinzento, castanho claro ou bege e possui uma linha mais escura em forma de ziguezague. Possui manchas escuras nos flancos e o ventre é negro ou acinzentado com manchas esbranquiçadas nos bordos laterais e posterior de cada escama. O terço final da cauda é amarelo ou alaranjado. Esta espécie também apresenta o fenótipo melânico, cuja elevada concentração confere aos indivíduos uma coloração totalmente preta, sendo um fenótipo bastante comum. 85% da população de Soajo e Peneda apresenta este fenótipo melânico.
Existe dimorfismo sexual através da coloração e padrão, que são mais contrastantes nos machos. As fêmeas são, em geral, de maiores dimensões mas a sua cauda é mais curta e fina que a dos machos.



Comportamento
Espécie essencialmente diurna, no entanto, no verão pode apresentar actividade crepuscular ou nocturna. Nos meses mais frios, entre Outubro-Novembro e Fevereiro-Março, hiberna. Este período pode sofrer pequenas alterações relacionadas com as condições do meio, como o clima e a altitude.
É uma espécie tímida e calma que pretende conseguir passar despercebida. O seu principal mecanismo de defesa é a fuga mas se ameaçada adopta comportamentos agressivos podendo chegar a morder. Esta é uma das duas espécies venenosas, existentes em Portugal, com dentes inoculadores de veneno localizados na parte anterior da maxila (dentes selenoglifa), apresentando algum risco para o Homem. O seu veneno apresenta características proteolíticas a nível local, coagulante numa fase inicial e anticoagulante numa fase posterior.
Os seus principais predadores são a águia-de-asa-redonda, a raposa, o gato-bravo e a lontra.

Alimentação
A dieta da víbora-de-Seoane é bastante variada, alimentando-se principalmente de micromamíferos, essencialmente de roedores mas também de insectívoros. Também se alimentam de répteis, preferencialmente de lacertídeos, mas também de licranços, de anfíbios como salamandras, rãs e tritões. Por vezes também se alimentam de aves, essencialmente passeriformes e artrópodes.
Reprodução
O acasalamento ocorre na primavera, entre finais de Março e Maio e no final do verão e início do outono, entre Agosto e Outubro. A reprodução desta espécie é bienal, em caso excepcionais pode reproduzir-se anualmente caso as condições sejam favoráveis, e a maturidade sexual é atingida aos 3 ou 4 anos de idade, quando os indivíduos alcançam os 30/40 cm. Como é típico das víboras, esta espécie é ovovivípara. As fêmeas têm entre 3 a 10 crias, dependendo da sua idade e do seu tamanho. Os recém-nascidos medem entre 14 e 19 cm de comprimento total. Vivem certa de 13 anos.

Habitat
Esta espécie ocupa preferencialmente áreas florestais abertas e húmidas como zonas de lameiros, prados, pastagens e matagais rodeados por muros de pedra, com cobertura arbustiva baixa, mais ou menos densa e próxima de cursos de água.

Distribuição
A víbora-de-Seoane é um endemismo ibérico com uma distribuição muito restrita, só ocorrendo no norte da Península Ibérica, em núcleos muito dispersos.
Em Portugal, ocorre no noroeste do país, nas Serras de Castro laboreiro, Soajo, Tourém, Larouco e Montalegre, sendo possível encontra-la até cerca dos 1900m de altitude. A sua distribuição é fragmentada, concentrando-se em três populações principais isoladas entre si (Paredes de Coura; Castro Laboreiro e Soajo; Tourém, Montalegre e Larouco).



Estatuto de conservação
A Vipera seoanei está classificada como em perigo (segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal) apresentando um declínio continuado do número de indivíduos, da extensão de ocorrência, área de ocupação.
Esta espécie é muito susceptível a ameaças devido ao seu crescimento lento, com maturação sexual reduzida e reprodução apenas, de dois em dois anos. Além disso, apresenta mobilidade reduzida, sendo especialista no seu habitat.
A sua principal ameaça é a degradação do habitat causada por fogos, pela intensificação da agricultura e abandono das técnicas agrícolas tradicionais (como o corte do feno com gadanha) e a construção de infra-estruturas urbanas. Os atropelamentos e a perseguição devido a crenças populares também têm um contributo significativo para o seu desaparecimento.
A víbora-de-Seoane é protegida por lei e a sua caça proibida. Pertence ao Anexo III da Convenção de Berna e ao Anexo IV da Directiva Habitats.


Um pouco mais sobre o veneno das víboras:
Apesar de venenosa e de apresentar perigo para o Homem, menos de 1% das mordeduras são fatais. Numa mordedura, a víbora pode injectar 0.2 a 1.5mL de veneno subcutânea ou intramuscularmente, no entanto, muitas vezes as víboras fazem aquilo a que se chama uma mordedura seca, ou seja, não injectam veneno.
A mordedura de uma víbora causa de imediato uma dor intensa e um inchado da zona mordida. Pode ainda ser causa de vómitos e náuseas, cólicas e diarreias e hipotensão. Em casos mais graves podem verificar-se convulsões, paralisia muscular e insuficiência renal.
Para todos os efeitos, quando uma víbora morde um humano, há procedimentos que devem ser seguidos.
O mais importante é que o indivíduo que sofreu a mordedura se mantenha calmo e imobilizado, com o membro mordido a um nível inferior ao coração, de maneira a diminuir o fluxo sanguíneo. Este deve ser transportado para o hospital e a zona da mordedura deve ser lavada com água e sabão e posteriormente desinfectada. No hospital eles seguirão os procedimentos necessários.
No entanto, existem coisas que nunca devem ser feitas, como o fazer um corte na zona da mordedura e chupar o sangue envenenado ou colocar um torniquete ou garrote.

Bibliografia:
Almeida, N.F. et.al. 2001. Guia FAPAS – Anfíbios e Répteis de Portugal. FAPAS. Porto. pp. 183-185
Loureiro, A. et al. 2010. Atlas dos Anfíbios e Répteis de Portugal. Esfera do Caos, Lisboa, p. 180-181
Oliveira, ME. et al. 2005. Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. Instituto da Conservação da Natureza. Lisboa. 141-142

http://anfibioserepteis.blogspot.pt/search/label/45%20-%20V%C3%ADbora-de-Seoane
http://www.iucnredlist.org/apps/redlist/details/61594/0
http://www.vertebradosibericos.org/reptiles/vipseo.html
http://www.viborasdelapeninsulaiberica.com/

Imagens:
http://4.bp.blogspot.com/_n0_iU0VxELs/TLfKeUPNNcI/AAAAAAAABPU/7T-R6UtJJkg/s1600/DSC04513+v3.jpg
http://farm5.staticflickr.com/4140/4904760141_c9a8bd4960_z.jpg
http://www.euroherp.com/Resources/Trips/240110_16_vipera_seoanei.jpg
http://www.viborasdelapeninsulaiberica.com/images/fotos/especies/seoanei/foto1b.jpg


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