Cobra-rateira

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Cobra-rateira

Mensagem  Mandrágora em Sab 7 Jul 2012 - 2:05

Cobra-rateira
Malpolon monspessulanus (Hermann 1804)


Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Squamata
Família: Psammophiidae
Género: Malpolon
Espécie: Malpolon monspessulanus



Descrição
A cobra-rateira é o maior ofídio da herpetofauna portuguesa, chegando a ultrapassa os 2m.
Facilmente identificável através da cabeça estreita e pontiaguda, possuindo escamas supraoculares proeminentes, uma zona deprimida entre o olho e o orifício nasal e uma escama frontal estreia e alongada (o comprimento desta escama é sensivelmente o dobro da largura).
Não possui escamas carenadas, sendo constituída por 19 fiadas de escamas lisas grandes no centro do corpo, e possui um sulco longitudinal central que se torna mais visível com a idade.
A coloração dorsal é muito variável, entre o verde oliváceo e o castanho ou cinzento, podendo apresentar uma coloração uniforme ou pode ter manchas ou listas mais escuras que a coloração principal. É comum possuirem uma mancha escura no terço anterior do corpo. O ventre é amarelado e apresenta frequentemente, manchas escuras.
O dimorfismo sexual é muito pouco evidente, sendo os machos relativamente maiores que as fêmeas.

Comportamento
A cobra-rateira é uma espécie essencialmente diurna, adoptando hábitos crepusculares nos meses mais quentes de Verão. Normalmente, apresenta um período de hibernação durante os meses mais frios, onde o Inverno é mais rigoroso, e passa por um período de estivação, onde as temperaturas são mais elevadas, durante o Verão.
É uma espécie bastante rápida e ágil. Apesar de ser maioritariamente terrestre, é uma excelente trepadora e nadadora.
Os seus principais predadores são as rapinas diurnas, como a águia calçada e o milhafre preto, e mamíferos, como o javali e o sacarrabos.
Quando ameaçada, o seu primeiro mecanismo de defesa é a fuga, no entanto pode torna-se agressiva, erguendo a região superior do corpo, produzindo um sopro. Pode mesmo chegar a morder e esta é uma das duas espécies de colubrídeos venenosos em Portugal. Como se trata de uma espécie opistoglifa, ou seja possui os dentes inoculadores de veneno na região posterior da maxila, e apesar do veneno neurotóxico, não é uma ameaça para o Homem.



Alimentação
A cobra-rateira é uma espécie generalista, no entanto apresenta uma variação da dieta consoante a idade. Os juvenis são essencialmente insectívoros evoluindo para uma dieta carnívora, alimentando-se de lagartixas. Em adultos alimentam-se de micromamíferos, pequenas aves e outras cobras, podendo alimentar-se de animais de maior dimensão, como o coelho e o sardão.

Reprodução
A época de reprodução inicia-se na primavera, e as cópulas ocorrem entre Maio e Junho. As fêmeas depositam 4 a 20 ovos, um mês após a cópula, debaixo da manta morta ou pedras, ou coloca-os em tocas de coelhos ou micromamíferos. Seguem-se 2 meses de incubação. A maturidade desta espécie é alcançada entre os 3 e os 5 anos e tem uma longevidade que pode ultrapassar os 25 anos de idade.

Habitat
A cobra-rateira está bastante adaptada a todo o tipo de biótopos em Portugal, desde o nível do mar até aos 1500m, na Serra da Estrela, mas evita as florestas mais fechadas. Podemos encontra-la em matos, montados, margens e clareiras de azinhais e pinhais, áreas pedregosas abertas e estepes cerealíferas. Esta foi uma espécie que se adaptou bastante bem às alterações da paisagem provocadas pela agricultura, sendo comuns em zonas agrícolas.

Distribuição
Esta espécie ocorre em todo o Sul da Europa, à excepção da Península Itálica, ocorre também no Norte de África e Ásia Menor. Em Portugal, é um réptil muito comum, distribuindo-se por todo o país, sendo escassa nas zonas de menor altitude do litoral Norte, entre Leiria e o Porto.



Estatuto de conservação

A Malpolon monspessulanus está classificada como uma espécie pouco preocupante (segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal e a IUCN), uma vez que a sua distribuição é bastante ampla, é muito tolerante a modificações de habitat, tem boa capacidade de adaptação, as populações são numerosas e não se conhece nenhuma ameaça que possa provocar um declínio significativo do efectivo populacional.
As suas principais ameaças são o atropelamento, por ser uma espécie ectotérmica o calor do asfalto é-lhe algo bastante apetecível, e a morte deliberada pelo homem, nomeadamente dos agricultores.
Pensa-se que é uma espécie que poderá vir a beneficiar com o aquecimento global.

Bibliografia:
Almeida, N.F. et.al. 2001. Guia FAPAS – Anfíbios e Répteis de Portugal. FAPAS. Porto. pp. 162-164
Loureiro, A. et al. 2010. Atlas dos Anfíbios e Répteis de Portugal. Esfera do Caos, Lisboa, p. 80-81

http://www.iucnredlist.org/apps/redlist/details/157262/0

Imagens:
http://cdn1.arkive.org/media/43/43E7173E-4829-40D2-B1F5-4A69060AB89B/Presentation.Medium/Montpellier-snake-showing-venomous-fangs.jpg





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