Oceana: Governo português propõe inclusão das montanhas submarinas Gorringe na Rede Natura 2000

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Oceana: Governo português propõe inclusão das montanhas submarinas Gorringe na Rede Natura 2000

Mensagem  Mandrágora em Seg 25 Fev 2013 - 22:48




Oceana: Governo português propõe inclusão das montanhas submarinas Gorringe na Rede Natura 2000

Com 5 000 metros de altura, os cumes de Gorringe, a 300 quilómetros da costa portuguesa, serão uma nova Área Marinha Protegida no Atlântico, de acordo com o que se depreende da nomeação que o Governo português realizou para estas montanhas submarinas. A Oceana, que filmou o local em diversas ocasiões, mostra uma grande satisfação perante este anúncio.

Desde 2005, a Oceana tem estado a trabalhar para que uma das montanhas submarinas mais espetaculares do mundo façam parte da rede de espaços protegidos do Atlântico. Estes enormes picos alojam uma grande biodiversidade e são o reflexo da história do Oceano Atlântico desde a sua origem até ao momento.

As montanhas de Gorringe nasceram com o Atlântico, começando a formar-se no final do Jurássico, com o movimento das placas tectónicas da América do Norte, África e Eurásia. Posteriormente, ao estar situadas sobre a falha de Açores-Gibraltar, sempre foram um lugar de história convulsa, incluindo o grande terramoto de 1755, que gerou um tsunami que destruiu a cidade de Lisboa, assim como outras localidades portuguesas, espanholas e marroquinas.

Desde um ponto de vista biológico, as montanhas do Gorringe alojam uma variada fauna e flora graças à sua ampla distribuição batimétrica. Os picos Gettysburg e Ormonde chegam quase à superfície, permitindo o assentamento de grandes comunidades de algas, incluindo os bosques de kelps. Nas suas encostas, agregações de esponjas, jardins de corais e fundos detríticos dão lugar a ecossistemas de alta complexidade, enquanto que nas suas águas se encontram grandes espécies pelágicas, como baleias, tubarões, peixes-espada e aves marinhas.

Em outubro de 2012, a Oceana, que tem vindo a colaborar nos últimos anos com a Universidade do Algarve, levou a cabo a sua última expedição a Gorringe, na qual encontrou espécies nunca antes observadas nestas montanhas, como tubarões sapata, esponjas ninho e diversos corais negros. Mas também encontrou sinais de deterioração numa zona quase intocada, como lixos e restos de equipamento de pesca, em especial em fundos rochosos onde se encontra o longevo peixe-relógio, que chega a viver mais de 125 anos.

“A nomeação de Gorringe como espaço protegido no Atlântico oferece esperança para a recuperação dos oceanos”, declara Ricardo Aguilar, Diretor de Investigação da Oceana na Europa. “Portugal é o país com menos superfície protegida da Europa e tem de fazer um grande esforço para cumprir com os objetivos europeus e da ONU para conservar, pelo menos, 10% da sua superfície marinha”.

O Governo Português pôs em funcionamento um grande projeto dirigido às suas águas que, além de o converterem no membro da UE com maior superfície marinha, podiam pô-lo no ponto de mira internacional. Com mais de 1,7 milhões de quilómetros quadrados de águas na sua Zona Económica Exclusiva, e cerca de 4 milhões de Km2 reivindicados como expansão da sua plataforma continental, Portugal assume uma responsabilidade internacional na conservação dos oceanos.

A Oceana filmou o Gorringe pela primeira vez em 2005, conseguindo as primeiras imagens que existiam deste banco. Graças ao apoio da Foundation for the Third Millennium, a organização internacional de conservação marinha documentou durante 2011 e 2012 as suas diferentes zonas com o objetivo de reunir dados que justifiquem a sua proteção.

Fonte: Naturlink

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